13.12.13

Fernando Pessoa...

Chove muito, chove excessivamente...
Chove e de vez em quando faz um vento frio...
Estou triste, muito triste, como se o dia fosse eu.


Num dia no meu futuro em que chova assim também
E eu, à janela de repente me lembre do dia de hoje,
Pensarei eu "ah nesse tempo eu era mais feliz"
Ou pensarei "ah, que tempo triste foi aquele"!
Ah, meu Deus, eu que pensarei deste dia nesse dia
E o que serei, de que forma; o que me será o passado que é hoje só presente?...
O ar está mais desagasalhado, mais frio, mais triste
E há uma grande dúvida de chumbo no meu coração...

Álvaro de Campos
20/11/1914

Nihil

Tantos nada que não são nada e
tantos acontecimentos que continuarão sendo nada.
A ilusão de estar aqui para algo, 

e nada faça.
Para que as gerações futuras olhem para suas fotos e nada saibam, 
que você nada signifique, como se não tivesse havido...

Fora do controle

Uma ventania passou pela casinha que se julgava forte. 
Pensava a casinha que nada a atingiria, que poderia suportar tempestades e que sua estrutura nunca se abalaria. A casinha se construiu durante anos, arquitetando-se para possíveis eventos, criando plantas, para que tudo permanecesse igual durante anos. Pensava a casinha que bastava planejar para que as coisas seguisse o seu plano. Não pensou a casinha que algum acontecimento inesperado pudesse tirá-la do chão. Não pensou que os acontecimentos pudessem seguir rotas diferentes do seu planejamento. E então, uma ventania passou pela casinha. Quebrou suas portas e janelas, feriu sua estrutura, tirou tudo que a cercava. A ventania desmanchou o que havia sido construído. Mostrou que não estava no controle da casinha comandar  os acontecimento. A ventania chegou , destruiu, e continuou seu trajeto incontrolável. 

16.10.13

O pequeno príncipe - Capítulo XXI

E foi então que apareceu a raposa :
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o príncipezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu ? Perguntou o príncipezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o príncipezinho.
Após uma reflexão, acrescentou :
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras ?
- Procuro os homens, disse o príncipezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo ! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas ?
- Não, disse o príncipezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços... "
- Criar laços ?.
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o príncipezinho. Existe uma flor... Eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! Não foi na Terra, disse o príncipezinho.
A raposa pareceu intrigada :
- Num outro planeta ?
- Sim.

- Há caçadores nesse planeta ?
- Não.
- Que bom ! E galinhas ?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe :
- Por favor... Cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o príncipezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me !
- Que é preciso fazer? Perguntou o príncipezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, cada dia, te sentará mais perto...
No dia seguinte o príncipezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta a agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- Que é um rito ? Perguntou o príncipezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias !
Assim o príncipezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou à hora da partida, a raposa disse :
- Ah ! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o príncipezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o príncipezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada !
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou :
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o príncipezinho rever as rosas :
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda: Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa :
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
O essencial é invisível para os olhos, repetiu o príncipezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante. 
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o príncipezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa... 


- Eu sou responsável pela minha rosa... Repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

6.10.13

Estava frio
por fora. Por dentro
Congelou

Copos e copos...
... goles e goles
Espirais.

Agora estava tudo bem
Entorpecida, libertou-se
Os espinhos desmanchando-se
O gelo derretido...

... Cores e cores
giros e giros....
Espirais.

Tudo bem
Agora
Tudo bem

13.9.13

Autoajuda

E se a vida não tiver um destino previamente determinado. Se as coisas não acontecem por intermédio de uma força superior comandando as tragédias e felicidades do dia-a-dia. E se tudo acontecesse como um dominó, onde os atos desencadeasse acontecimentos que mudariam as condições e assim por diante ? E se, encarar, agir, mover-se, fosse a melhor forma de controlar os acontecimentos?

E se...

E se você perdesse o medo de entrar na água fria. E se depois que você entrasse nessa água percebesse que o corpo, com o passar dos minutos, se acostuma. E se - que surpresa! - você descobrisse que a água não está fria e que tudo não passava de simples medo de entrar no desconhecido ?

E se você conversasse com aquela pessoa e descobrisse que tudo não passou de um mal entendido? Ou , mesmo que descobra que foi de propósito, tirasse aquela pulguinha atrás da orelha e pudesse seguir sua vida, sem deixar questões presas no caminho ?

E se, mesmo sem ter um destino definido, enfiasse a cara no vento e se visse - assim como uma folha que é jogada ao mundo - encontrando novos rumos e descobrindo novas fontes?

E se, mesmo dando tudo errado, você tentasse uma nova vez, agora aproveitando a experiência para não cometer os novos erros ?

E se, mesmo dando tudo errado, você levantasse a cabeça e parasse de relembrar a xícara quebrada e jogasse tudo para o alto e partisse para uma nova rota?

E se você parasse de pensar e repensar e desse mais preferência aos impulsos ?

E se...
         Tantas incertezas.... 
                                   Tantos medos....
                                                          Tantos arrependimentos...
                                                                                E a consciência de que a vida é curta...


22.8.13

O que quebrou foi a cara da fantasia na porta da realidade. 
Eu entrei, 
o sonho permaneceu despedaçado no tapete da entrada.

13.7.13

Confusões

   O canto dos pássaros parecia estar congelado no tempo. Os animais já não respiravam, não caminhavam, nem se apresentavam para as árvores. Ela estava em silêncio, tentando pensar no que estava acontecendo ultimamente (seria apenas ultimamente?). Quando realmente tudo isso começou? Lembrava-se de que estava seguindo por um caminho, mas foi obrigada a desviar das pedras que encontrava. Alguns desvios foram provocados por medo, outros por preguiça, mas principalmente por se sentir incapaz de enfrentar os obstáculos daquela estrada. Mudou tanto sua rota, observou tantos meios diferentes, que agora já não podia continuar com seus objetivos iniciais, com seus desejos, mas também não sabia para onde poderia ir. De repente se viu perdida, confusa. Sua bússola já não apontava para lugar algum. Sair ou ficar parada já parecia ser opções equivalentes. Era como se houvesse alguma magia que a obrigava a cair sempre nessa mesma confusão. Sentia sua mente como um emaranhado de fios. Já não sabia o começo, o fim, os desejos, as criações, as obrigações, os instintos. Ultimamente estava ouvindo tanto o que os outros diziam que já nem sabia mais como agir, se sentia extremamente vulnerável àqueles que a cercavam. Lembrava-se de como era antigamente, ainda guardava algumas lembranças distorcidas dos sorrisos sinceros, mas perdera a receita de como produzi-los, perdera a coragem de agir por suas próprias pernas. Enquanto caminhava, encontrava portas ao longo do caminho, mas ao abri-las e entrar se deparava com o mesmo lugar. Não havia saída, por mais que caminhasse sempre estaria no mesmo lugar. Às vezes, o máximo que conseguia era carregar consigo alguma teia de aranha que se enroscava em suas roupas ao andar. Era como se estivesse sumindo, coberta, andando para o mesmo lugar, cansada e com frio. 

sonho

Desejos vãos 

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão é ate da morte!

Mas o mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!

E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras... essas... pisá-as toda a gente!... 
                                                                                                                 Florbela Espanca

5.7.13

Somos todos virgens


Somos todos virgens, Lopes. Virgens antes do primeiro beijo, antes do primeiro dia em que andamos de táxi sozinhos, antes do primeiro emprego.  Quem morre sem ter ido a Veneza, sem nunca ter tido um filho, sem nunca ter amado, morre virgem igual, mesmo tendo transado com a cidade inteira. Somos sempre virgens de alguma coisa que ainda não nos aconteceu.
  
Martha Medeiros

2.7.13

Fim






O tempo veio e trouxe consigo a gravidade.

Puxou tudo para baixo.

Despencou o físico e o equilíbrio, 

Desmoronou-se na  fria laje.

11.6.13

Queda

                     
                Soltar as mãos da beirada

                             Deixar-se cair

Entrar no túnel

Girar,

Rodar, rodar

    Ir para o fundo

                        Cair
                               
              C
                   a
                               i
            r

19.5.13


Silêncio ...

                                                            

3.5.13

Fragmentos de Moreninha

Tu és a deusa da praça,
E todo o homem que passa
Apenas viu-te...parou!
Segue depois seu caminho
Mas vai calado e sozinho.
Porque sua alma ficou!

Casimiro de Abreu

1.5.13

Superficialidade


Achou curioso o que havia no espelho

Abriu a superfície

E se deparou com o outro lado

Apenas

A

    r

30.4.13


Acende uma luz no rosto

Olha-se na água

O escuro refletindo os demônios

Da alma

29.4.13

Helena

  Ela devaneia em volta do lago. Ela, minha Helena, está sentada com as pernas calculadamente cruzadas  para esconder, com seu vestido curto, o alto de suas coxas. Os fios de seu cabelo vermelho-fogo serpenteiam em volta do seu rosto e são tirados por suas mãozinhas delicadas. Uma leve brisa toca o seu corpo fazendo com que seus finos pelos se  arrepiem. Acaricia-se como que para confortar a si mesma e afastar o frio momentâneo. Suas mãos me prendem a atenção por alguns instantes, são tão pequenas e delicadas, as unhas pintada de rosa claro, combinando com sua meninice travessa. Os dedos finos, com um anel de pedra cristal, estão dedilhando a grama distraidamente.
   O sol preguiçoso da manhã reflete-se exibidamente no água. Helena, como que para brincar com aquela estrela que, inutilmente tenta competir com seu brilho, pega pequenas pedrinhas e joga no lago. Observa o seu efeito, pequenos círculos surgindo dentro de outros, diminuindo até sumirem. A garota com seu cabelo de fogo delicia-se com os efeitos que causa, não apenas no lago, mas em todos que a olham. Entorpecida por algum pensamento proibido, dá sorrisos tímidos e abaixa a cabeça para esconder a malícia que escorre de seus finos lábios. Cansada daquela posição, deita-se na grama e fica ali tentando adivinhar os enigmas das nuvens. O seu cabelo se espalha desorganizadamente juntando-se com as folhas do chão. Apoia suavemente um braço em cima do peito e o outro na grama. Uma perna estendida e a outra dobrada fazendo com que o seu vestido desça, como um demônio que provoca mas nada mostra. Fecha o olho. Em que pensa? Voa para longe, constrói em sua mente algo alheio aos meus pensamentos. Adormece pequenina.

                                                        ....

Ela movimenta-se bruscamente como um anjo que acorda de algum pesadelo. O que atormenta aquela mente dócil? Volta a se sentar na grama para acalmar seus pensamentos e se localizar no tempo. Quanto tempo se passou? Helena passa suas mãozinhas no cabelo de fogo, deixando algumas folhas teimosas caírem de volta para o chão. Espreguiça-se manhosa como uma gata. Contempla preguiçosamente o lago por mais alguns instantes. Olha em seu relógio e assusta-se calculando que já  passou mais horas do que imaginava. Ergue seus finos braços novamente, esticando-os como se quisesse alcançar o céu e boceja dengosamente. Levanta-se magistralmente em um pulinho. Suspira... O sol estava agora mais forte. Olha a sua volta. Abre sua bolsa e retira seus óculos escuro. Coloca-o, cobrindo seus lindos olhos azeitonados. Retira também seus fones de ouvidos, escolhe uma música em seu celular e começa a caminhar lerdamente. Chuta algumas pedrinhas que encontra, como que para afastar os pequenos empecilhos do caminho, e vai se afastando do meu campo de visão. Em alguns segundos deixa-me sozinha, atordoada, sentindo-me fria sem seu fogo para me esquentar.

28.4.13

Ciclos

O Death by Jen Titus on Grooveshark
   Engoliu aquela gota de café amarga com uma certa dificuldade, o nó na garganta impedia de apreciar o líquido quente de sua xícara. Tamborilou os dedos na mesa como que para quebrar o silêncio que invadia e se acomodava na sala. O sol entrava forte pela janela, esquentando o ambiente e clareando as paredes apáticas. A garota ali continuou como se o tempo não passasse e nada tivesse para fazer. Aliás, agora, nada havia realmente para fazer. Tudo já havia acabado.
    Na noite anterior Antônio entrou como um furacão na casa, o cheiro de álcool invadiu o ambiente e instalou-se no quarto. Melissa não pode entender o que o bêbado falava, apenas recebia como um soco no estômago aquele bolo de letras saindo dos lábios que outrora fora doce e gentil. Tony estava transtornado como se estivesse procurando algo, talvez estivesse procurando a calmaria antiga. Destruía a casa, jogava as roupas no chão, os móveis, o vidro, as flores, e junto com os objetos jogava a felicidade de Melissa no chão, pisoteava e cuspia em cima dos planos futuros. Mel como pedra, medrosa como um filhote, estava sem reação, se não fosse pelo tremor que lhe chacoalhava dos pés aos fios do cabelo, estaria como uma estátua de gesso, branca e fria. Apenas olhava o furacão que entrou em sua casa e a destruía - casa e  mel. Não era a primeira vez que o via bêbado, irritado, mas nunca havia chegado aquele ponto de fúria  Ficava paralisada diante daquilo como se não acreditasse que seu amado havia se transformado num bêbado e completamente estranho. De alguns meses pra cá era assim a vida, ele não suportava as pressões da empresa e se embriagava para esquecer... porém não esquecia, apenas angustiava-se mais sentindo-se inútil e fracassado. Mas ontem Antônio não conseguiu se controlar, chegou na empresa e por justa causa fora demitido. Andou pela cidade como um espectro. Não pensou. Congelou-se por dentro e quando levantou a cabeça estava no bar, o seu atual confidente. Bebeu... embebedou o corpo e a alma, bateu o copo na mesa e saiu aos tropeços pela noite escura.  O mundo girava, dentro e fora do bêbado. Quando chegou em casa não pode suportar olhar Mel que agora representava seu oposto. Tudo aquilo o atingiu como um tapa na cara, como uma acusação. Sua raiva -não dela, mas de si- cresceu, explodiu emanou pelas mãos, o cegou, tirou seu controle e como um demônio começou a destruir tudo a sua volta. Como se quisesse destruir aquela que antes fora o modelo a ser seguido, agarrou Mel pelo pescoço como se quisesse quebra-la, elimina-la da existência. Porém Melissa -a doce mel- foi mais rápida, com suas mãos tremulas conseguiu agarrar a faca que estava sobre o encosto do sofá. Acertou o ombro do bêbado que a sufocava. Ele a soltou, deu dois passos para trás olhando para ela assustado, desacreditando no que estava acontecendo, e desmoronou como gigante no chão. Um baque surdo do corpo chocando-se contra o piso. Mel correu, não chamou o resgate, não pensou, apenas correu, sem destino, correu para salvar-se mesmo sem saber para onde ia. O medo, a sensação de ter alguém que a perseguia, a impedia de descansar suas pernas. Apenas corria. Em alguma rua, ela não conseguia se localizar, encontrou algum conhecido que segurou forte seus braços, fazendo com que a garota parasse de se debater e gritar, para abraça-lo e chorar como nunca havia chorado. Depois de minutos conseguiu relatar, entre soluços e lágrimas, o que havia acontde ecido e se pois a chorar o que ainda restava. Seu amigo Eduardo - agora a garota conseguia recobrar com clareza - levou a pequena Mel até a delegacia onde ela declarou o que havia acontecido. 
   A noite fora longa... Chegou a polícia, ambulância, luzes piscando e vizinhos curiosos na rua, tudo deixando Melissa mais tonta e enojada. Eduardo a levou para casa dele, fez um chá calmante e a colocou para dormir como um bebê assustado. Dormiu, mas se mexia violentamente como se tentasse fujir de algo. Gritos, sangue, sombra, vidros quebrados, choro, foram os temas dos pesadelos da garota naquela noite. Quando acordou Eduardo já tinha ido trabalhar, deixou um bilhete escrito onde se encontrava as coisas da casa e o que iria fazer. Mel preparou um café, sentou-se na mesa e agora estava ali, tentando engolir as gotas enquanto seus dedos batiam impacientes na mesa. Com os pensamentos embaçados ficava refletindo se aquilo teria sido verdade ou um filme de péssimo gosto que havia assistido. Como aquilo foi acontecer com ela? Como Antonio, Tony virou aquele monstro? Ele que tanto lutara para crescer profissionalmente, aos poucos, deixou-se cair nas armadilhas das pressões, exigindo cada vez mais de si, implodindo aos poucos até externalizar seus destroços. Como se deixou iludir que ele mudaria, deixaria aquele emprego, voltaria a ser o doce Tony de antes? Não podia abandoná-lo antes e deixá-lo destruir-se, tinha medo de piorar a situação, e mesmo assim, com tantos receios, tudo tomou aquela terrível proporção. Poderia ter fugido antes, poderia ter ajudado seu amado... Não poderia, não era sua culpa. Mas... Mas... Sua cabeça girava sem parar. O que fazer agora? Poderia ficar ali? Sem ter que ir à delegacia mexer com problemas burocráticos, sem precisar voltar naquela casa para pegar suas coisas e relembrar os momentos bons e ruins, sem ter que dormir e ter pesadelos... Sem ter que continuar a ser ela mesma? Poderia apagar tudo? Mel deixou sua xícara de lado. A angústia apertava seu estômago, sufocava sua respiração, fazia sua mente explodir. Olhou para a estante e viu uma garrafa de Uísque.  Sem raciocinar, como robô,  dirigiu-se até a estante e pegou a garrafa. Um copo estava ali do lado como uma criança atentada querendo aprontar. Melissa pegou o copo e deixou que a fina cachoeira âmbar preenchesse o seu interior, caminhou com a garrafa e o copo para o sofá. Sentou-se. Levou o copo até seus gélidos lábios e deixou que o liquido escorresse para dentro do seu corpo. Aos poucos a angústia foi se diluindo, os pensamentos, embora torturantes, tornaram-se mais leves. Sentiu-se estranha. Desmanchou-se e deixou que a garrafa e o copo caíssem do sofá e trincassem no chão.  Sentiu-se fora. Fora dos problemas... Uma solução. Achara uma imediata solução.

27.4.13

Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria."


Autor?

AMOR E MEDO.


Quando eu te vejo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, ó bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
— "Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!"


Como te enganas! meu amor, é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo...


Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores
A luz da aurora me enternece os seios,
E ao vento fresco do cair das tardes,
Eu me estremece de cruéis receios.


É que esse vento que na várzea — ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!



Ai! se abrasado crepitasse o cedro,
Cedendo ao raio que a tormenta envia:
Diz: — que seria da plantinha humilde,
Que à sombra dela tão feliz crescia?


A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho
E a pobre nunca reviver pudera.
Chovesse embora paternal orvalho!


Ai! se te visse no calor da sesta,
A mão tremente no calor das tuas,
Amarrotado o teu vestido branco,
Soltos cabelos nas espáduas nuas! ...


Ai! se eu te visse, Madalena pura,
Sobre o veludo reclinada a meio,
Olhos cerrados na volúpia doce,
Os braços frouxos — palpitante o seio!...


Ai! se eu te visse em languidez sublime,
Na face as rosas virginais do pejo,
Trêmula a fala, a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...



Diz: — que seria da pureza de anjo,
Das vestes alvas, do candor das asas?
Tu te queimaras, a pisar descalça,
Criança louca — sobre um chão de brasas!


No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem,
Vil, machucara com meu dedo impuro
As pobres flores da grinalda virgem!


Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço,
Anjo enlodado nos pauis da terra.


Depois... desperta no febril delírio,
— Olhos pisados — como um vão lamento,
Tu perguntaras: que é da minha coroa?...
Eu te diria: desfolhou-a o vento!...


Oh! não me chames coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito!
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...

Casimiro de Abreu

26.4.13

Às vezes

                         de noite

                                         eu saio de mim 

Para ver estrelas

                              e a neblina caindo

                                                        no jardim.


Antônio Ubirajara Lopes

Desencontros


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E em meio a tantos um dia vamos marcar
Ficamos ali, dois barquinhos navegando em direções diferentes.
E em meio a tantos vamos de mãos dadas
Fomos, individualmente.

25.4.13


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A ampulheta secou,
e a covardia se acomodou.
.
Você ausente, o vazio presente,
e os dias seguindo religiosamente.

24.4.13

23.4.13

Paradoxos


tomasz alen kopera pinturas surreais natureza anjos sombrios pedra e fogo
Pintura de :Tomasz Alen Kopera
Minha mente 
gritando
em um querer selvagem

Meus medos 
atrofiando 
minha coragem











21.4.13


“Como eu gostaria de arrancar a minha pele sem medo 
    e mostrar
    o meu todo para o outro.”

Hilda Hilst

Mundo novo

Enquanto eu estiver lá fora,
O relógio vai continuar a girar,
A maquina vai continuar a registar,
As programações seguirão sem reclamações.
Enquanto eu estiver lá fora, um mundo louco e sistemático vai continuar a regular meus passos.


Mude

             Mesmo que seja um pouquinho...
Mesmo que seja em pensamentos...
              Mesmo que seja apenas o gênero de um livro.
Reflita sobre seus preconceitos.
De pouco em pouco,
     muitas vezes apenas olhando o outro lado da história,
podemos criar uma vida mais adocicada.

Às carícias do vento


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Há algo de especial no sabor do vento

Uma voz que chama à liberdade, que mostra uma verdade interior, uma sensação florescente.

Há um pássaro de asas abertas no sabor do vento, chamando-me para deliciar-me em minhas vontades.

As carícias da brisa fresca despindo-me do exterior, tornando-me apenas alma.

Voo de alma exposta à liberdade, guiada pelas carícias do sabor do vento, como um pássaro florescente em minhas vontades.

Para onde estamos indo ?


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Mesmo depois de tanto esforço para subir as escadas, descobre-se então que o topo é, antes de tudo, um lugar solitário. Encontra apenas as restrições e exigências espremendo a leveza das coisas simples. Para admirar-se é necessário a distinção dos demais, distanciando-se não apenas dos corpos, mas também dos sorrisos de causas bobas e reflexões sem preocupações.

Nas asas do destino


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Um dia por aí andando,
Encontro aquele pássaro
Cantarolando


Ansiedades


Como sempre,
Um passo à frente,
Pulando o presente

5.4.13

Eros se foi



Tum-tum
Se esvaindo.
Tum- tum
Ecoando no vazio

Tum- tum
Tum
T.





Sou

Apenas falo.
Faço? 
Não faço.

Apenas piso na grama seca,
Expondo minhas reclamações,
Jogando migalhas pros pombos sujos.

Sigo em circulo.
Nem à frente, nem repensar.
Vou, às migalhas, às sujas.


21.3.13

Fragmentos de Tabacaria - Fernando Pessoa

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
...
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
...
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco

A mim mesmo e não encontro nada.
...
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
...
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
...


17.3.13

Escorrer-se



   Ali está um pequeno copo de cristal na mesa, em seu fundo um desprezado líquido vermelho. A janela enferrujada está aberta deixando entrar um vento forte que, passando pelos ferros decorativos, balança os braços da janela fazendo um irritante som de móveis velhos. As árvores da rua balançam violentamente tentando evitar com sofreguidão o seu desmembramento. Os pássaros escondem-se por não conseguirem voar.  As nuvens se aproximam e as pessoas correm desesperadamente para casa buscando abrigo. Todos movimentando-se para evitar a tempestade. Menos a pequena Duda.  Eduarda está sentada em seu quintal, entorpecida pela bebida amarga, imóvel em sua cadeira de balanço. Seus pensamentos estão letárgicos  Não chora, não sorri. Apenas seu coração bate lentamente.  Eduarda ali está e permanece enquanto o vento embaraça seu cabelo. As nuvens parecem pesadas, consegue pensar Eduarda... Tão pesadas... Tenta mover-se, mas não consegue, está cansada. Apenas o vento balança sua cadeira criando movimentos.
.
    Antigamente Eduarda corria , sorria, brindava. Eduarda vivia as coisas comuns às revistas femininas. Mas o tempo passou, as coisas passaram, as revistas mofaram e Eduarda aproximou-se do lado oposto ao desejado. Eduarda diminuiu. Agora a pequena Duda possui uma grande farmácia em seu banheiro, pequenos comprimidinhos que a mantém viva. Mas hoje a pequena Duda decidiu desligar-se das substâncias que mantinham seu corpo funcionando. Acordou com o coração apertado. Escreveu algumas cartas de adeus para aqueles que deveriam saber os motivos de seus atos. Olhou-se no espelho. Hoje Duda não passou sua maquiagem, não vestiu roupas coloridas. Hoje Duda permaneceu como estava - com seu moletom cinza.. Passou pelo corredor e não entrou no banheiro. Foi para cozinha. Pegou uma pequena faca afiada colocando-a em seu bolso. Abriu a geladeira. Pegou sua garrafa e brindou um copo de cristal com sua  bebida preferida... a bebida proibida para Duda, uma droga substituta  para seus comprimidos de vida e felicidade artificial. Caminhou até o sofá, sentou-se e deliciou-se de sua bebida. Decidiu ir para fora sentar-se em sua cadeira de balanço. Levantou e pousou o copo no centro da mesa, e foi a passos lentos para sua cadeira. 
    La fora o tempo estava nublado, o tilintar de seus apetrechos de teto soavam com o vento que se aproximava. Sentou-se e alguns segundos depois os antigos pensamentos indesejáveis começaram a invadir sua mente. Eduarda sentiu-se  novamente diminuir, seu corpo começou a ficar pesado como as nuvens que se aproximavam.   Começou então um forte vento anunciando uma tempestade, as pessoas começaram a correr para suas casas. E ali ficou Duda. 
.
    O vento empurra cada vez mais o copo largado na mesa,  aproximando-o da beirada.  Duda sente-se tão pesada que mal consegue tirar a faca afiada que havia escondido no bolso de seu moletom. Olha para aquele objeto brilhante, passa levemente o dedo na lâmina e uma gotícula vermelha se forma no delicado dedo de menina. 
   O vento torna-se cada vez mais forte. Na rua apenas o balançar desesperado das árvores lutando para manter-se intactas. O céu está negro como se tentasse tornar-se noite. Uma rajada entra na casa quebrando os braços da janela. Cospe o copo para o chão estilhaçando-o contra o piso amarelo, espalhando seu líquido  vermelho.
   Duda aponta a faca para seu pulso. Com as mãos enfraquecidas força a entrada da lâmina contra a sua carne. O sangue sai como uma correnteza pela abertura da pele, desenhando rios em suas mãos, escorrendo para o chão, formando uma poça. A faca cai no chão manchada.
   O sangue permanece escorrendo, espalhando-se e juntando-se com a chuva. A cadeira permanece embalando o pequeno corpo vazio. Uma folha é arrancada da árvore e vem empurrada em direção ao corpo mórbido jogado na cadeira, bate no peito do espectro e cai em seu colo. Os olhos de Eduarda já não se movem mais... Já não há mais a pequena Duda. Apenas o vento continua a balançar ninando o corpo vazio.

2.3.13

Adivinhações



Corre porque o final está chegando.

Mas que maldita mania de esperar o final das coisas para poder agir.

Agora corre.

Vamos.

Pegue todas as peças jogadas e monte o quebra-cabeça.

Agora, no momento final, decida entre ir para frente ou ficar ai parada no cimento.

Aproveite o ultimo sol morno, pois a partir de amanhã andaremos em brasa.

O céu se tornará vermelho e as estrelas derreterão a lua.

Vamos.

Apresse-se.

A partir de amanhã os pássaros gritarão agoniados pela manhã e os gatos amanhecerão sem pelos.

Corre.

Aproveite o ultimo dia.

Amanhã e depois as cordas dos instrumentos se quebrarão e a música não tocará tão suavemente.

O ar virá carregado pesando sobre sua cabeça vazia.

As paredes esmagarão seu peito.

E sua respiração findará.

Apenas corra.!!!

24.2.13

Lisa Thiel - Imbolc (Candlemas)



Blessed Bridget, queen of the fire
Help us to manifest our desire
May we bring forth all that's good and fine
May we give birth to our dreams in time

19.2.13

Um pouco de Engenheiros do Hawaii - Terra de gigantes




Mas, hey mãe!
Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer

Mas, hey mãe!
Por mais que a gente cresça
Há sempre alguma coisa que a gente
Não consegue entender

Por isso, mãe
Só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto
Antes de anoitecer

Mega, ultra, hiper, micro, baixas calorias,
Kilowats, gigabites
Traço de audiência
Tração nas quatro rodas
E eu, o que faço com esses números?
Eu, o que faço com esses números?