Engoliu aquela gota de café amarga com uma certa dificuldade, o nó na garganta impedia de apreciar o líquido quente de sua xícara. Tamborilou os dedos na mesa como que para quebrar o silêncio que invadia e se acomodava na sala. O sol entrava forte pela janela, esquentando o ambiente e clareando as paredes apáticas. A garota ali continuou como se o tempo não passasse e nada tivesse para fazer. Aliás, agora, nada havia realmente para fazer. Tudo já havia acabado.
Na noite anterior Antônio entrou como um furacão na casa, o cheiro de álcool invadiu o ambiente e instalou-se no quarto. Melissa não pode entender o que o bêbado falava, apenas recebia como um soco no estômago aquele bolo de letras saindo dos lábios que outrora fora doce e gentil. Tony estava transtornado como se estivesse procurando algo, talvez estivesse procurando a calmaria antiga. Destruía a casa, jogava as roupas no chão, os móveis, o vidro, as flores, e junto com os objetos jogava a felicidade de Melissa no chão, pisoteava e cuspia em cima dos planos futuros. Mel como pedra, medrosa como um filhote, estava sem reação, se não fosse pelo tremor que lhe chacoalhava dos pés aos fios do cabelo, estaria como uma estátua de gesso, branca e fria. Apenas olhava o furacão que entrou em sua casa e a destruía - casa e mel. Não era a primeira vez que o via bêbado, irritado, mas nunca havia chegado aquele ponto de fúria Ficava paralisada diante daquilo como se não acreditasse que seu amado havia se transformado num bêbado e completamente estranho. De alguns meses pra cá era assim a vida, ele não suportava as pressões da empresa e se embriagava para esquecer... porém não esquecia, apenas angustiava-se mais sentindo-se inútil e fracassado. Mas ontem Antônio não conseguiu se controlar, chegou na empresa e por justa causa fora demitido. Andou pela cidade como um espectro. Não pensou. Congelou-se por dentro e quando levantou a cabeça estava no bar, o seu atual confidente. Bebeu... embebedou o corpo e a alma, bateu o copo na mesa e saiu aos tropeços pela noite escura. O mundo girava, dentro e fora do bêbado. Quando chegou em casa não pode suportar olhar Mel que agora representava seu oposto. Tudo aquilo o atingiu como um tapa na cara, como uma acusação. Sua raiva -não dela, mas de si- cresceu, explodiu emanou pelas mãos, o cegou, tirou seu controle e como um demônio começou a destruir tudo a sua volta. Como se quisesse destruir aquela que antes fora o modelo a ser seguido, agarrou Mel pelo pescoço como se quisesse quebra-la, elimina-la da existência. Porém Melissa -a doce mel- foi mais rápida, com suas mãos tremulas conseguiu agarrar a faca que estava sobre o encosto do sofá. Acertou o ombro do bêbado que a sufocava. Ele a soltou, deu dois passos para trás olhando para ela assustado, desacreditando no que estava acontecendo, e desmoronou como gigante no chão. Um baque surdo do corpo chocando-se contra o piso. Mel correu, não chamou o resgate, não pensou, apenas correu, sem destino, correu para salvar-se mesmo sem saber para onde ia. O medo, a sensação de ter alguém que a perseguia, a impedia de descansar suas pernas. Apenas corria. Em alguma rua, ela não conseguia se localizar, encontrou algum conhecido que segurou forte seus braços, fazendo com que a garota parasse de se debater e gritar, para abraça-lo e chorar como nunca havia chorado. Depois de minutos conseguiu relatar, entre soluços e lágrimas, o que havia acontde ecido e se pois a chorar o que ainda restava. Seu amigo Eduardo - agora a garota conseguia recobrar com clareza - levou a pequena Mel até a delegacia onde ela declarou o que havia acontecido.
Na noite anterior Antônio entrou como um furacão na casa, o cheiro de álcool invadiu o ambiente e instalou-se no quarto. Melissa não pode entender o que o bêbado falava, apenas recebia como um soco no estômago aquele bolo de letras saindo dos lábios que outrora fora doce e gentil. Tony estava transtornado como se estivesse procurando algo, talvez estivesse procurando a calmaria antiga. Destruía a casa, jogava as roupas no chão, os móveis, o vidro, as flores, e junto com os objetos jogava a felicidade de Melissa no chão, pisoteava e cuspia em cima dos planos futuros. Mel como pedra, medrosa como um filhote, estava sem reação, se não fosse pelo tremor que lhe chacoalhava dos pés aos fios do cabelo, estaria como uma estátua de gesso, branca e fria. Apenas olhava o furacão que entrou em sua casa e a destruía - casa e mel. Não era a primeira vez que o via bêbado, irritado, mas nunca havia chegado aquele ponto de fúria Ficava paralisada diante daquilo como se não acreditasse que seu amado havia se transformado num bêbado e completamente estranho. De alguns meses pra cá era assim a vida, ele não suportava as pressões da empresa e se embriagava para esquecer... porém não esquecia, apenas angustiava-se mais sentindo-se inútil e fracassado. Mas ontem Antônio não conseguiu se controlar, chegou na empresa e por justa causa fora demitido. Andou pela cidade como um espectro. Não pensou. Congelou-se por dentro e quando levantou a cabeça estava no bar, o seu atual confidente. Bebeu... embebedou o corpo e a alma, bateu o copo na mesa e saiu aos tropeços pela noite escura. O mundo girava, dentro e fora do bêbado. Quando chegou em casa não pode suportar olhar Mel que agora representava seu oposto. Tudo aquilo o atingiu como um tapa na cara, como uma acusação. Sua raiva -não dela, mas de si- cresceu, explodiu emanou pelas mãos, o cegou, tirou seu controle e como um demônio começou a destruir tudo a sua volta. Como se quisesse destruir aquela que antes fora o modelo a ser seguido, agarrou Mel pelo pescoço como se quisesse quebra-la, elimina-la da existência. Porém Melissa -a doce mel- foi mais rápida, com suas mãos tremulas conseguiu agarrar a faca que estava sobre o encosto do sofá. Acertou o ombro do bêbado que a sufocava. Ele a soltou, deu dois passos para trás olhando para ela assustado, desacreditando no que estava acontecendo, e desmoronou como gigante no chão. Um baque surdo do corpo chocando-se contra o piso. Mel correu, não chamou o resgate, não pensou, apenas correu, sem destino, correu para salvar-se mesmo sem saber para onde ia. O medo, a sensação de ter alguém que a perseguia, a impedia de descansar suas pernas. Apenas corria. Em alguma rua, ela não conseguia se localizar, encontrou algum conhecido que segurou forte seus braços, fazendo com que a garota parasse de se debater e gritar, para abraça-lo e chorar como nunca havia chorado. Depois de minutos conseguiu relatar, entre soluços e lágrimas, o que havia acontde ecido e se pois a chorar o que ainda restava. Seu amigo Eduardo - agora a garota conseguia recobrar com clareza - levou a pequena Mel até a delegacia onde ela declarou o que havia acontecido.
A noite fora longa... Chegou a polícia, ambulância, luzes piscando e vizinhos curiosos na rua, tudo deixando Melissa mais tonta e enojada. Eduardo a levou para casa dele, fez um chá calmante e a colocou para dormir como um bebê assustado. Dormiu, mas se mexia violentamente como se tentasse fujir de algo. Gritos, sangue, sombra, vidros quebrados, choro, foram os temas dos pesadelos da garota naquela noite. Quando acordou Eduardo já tinha ido trabalhar, deixou um bilhete escrito onde se encontrava as coisas da casa e o que iria fazer. Mel preparou um café, sentou-se na mesa e agora estava ali, tentando engolir as gotas enquanto seus dedos batiam impacientes na mesa. Com os pensamentos embaçados ficava refletindo se aquilo teria sido verdade ou um filme de péssimo gosto que havia assistido. Como aquilo foi acontecer com ela? Como Antonio, Tony virou aquele monstro? Ele que tanto lutara para crescer profissionalmente, aos poucos, deixou-se cair nas armadilhas das pressões, exigindo cada vez mais de si, implodindo aos poucos até externalizar seus destroços. Como se deixou iludir que ele mudaria, deixaria aquele emprego, voltaria a ser o doce Tony de antes? Não podia abandoná-lo antes e deixá-lo destruir-se, tinha medo de piorar a situação, e mesmo assim, com tantos receios, tudo tomou aquela terrível proporção. Poderia ter fugido antes, poderia ter ajudado seu amado... Não poderia, não era sua culpa. Mas... Mas... Sua cabeça girava sem parar. O que fazer agora? Poderia ficar ali? Sem ter que ir à delegacia mexer com problemas burocráticos, sem precisar voltar naquela casa para pegar suas coisas e relembrar os momentos bons e ruins, sem ter que dormir e ter pesadelos... Sem ter que continuar a ser ela mesma? Poderia apagar tudo? Mel deixou sua xícara de lado. A angústia apertava seu estômago, sufocava sua respiração, fazia sua mente explodir. Olhou para a estante e viu uma garrafa de Uísque. Sem raciocinar, como robô, dirigiu-se até a estante e pegou a garrafa. Um copo estava ali do lado como uma criança atentada querendo aprontar. Melissa pegou o copo e deixou que a fina cachoeira âmbar preenchesse o seu interior, caminhou com a garrafa e o copo para o sofá. Sentou-se. Levou o copo até seus gélidos lábios e deixou que o liquido escorresse para dentro do seu corpo. Aos poucos a angústia foi se diluindo, os pensamentos, embora torturantes, tornaram-se mais leves. Sentiu-se estranha. Desmanchou-se e deixou que a garrafa e o copo caíssem do sofá e trincassem no chão. Sentiu-se fora. Fora dos problemas... Uma solução. Achara uma imediata solução.
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