O relógio estava desorientado ou eu me perdi no tempo? Não sei em que dia estou, o que estou fazendo nem o por que. Será que algum extraterrestre me raptou e embaralhou minha memória? Onde estão aquelas pessoas que caminhavam ao meu lado e compartilhavam os mesmo planos? Tínhamos um horário marcado, alguém se lembra?
- Não, não há mais ninguém aqui.
Aquela flor vermelha que havia em meu quintal já não existe, ficou apenas o seu talo amarelados pelo tempo e que ainda resiste lutando contra o vento que o contorce. A terra está seca. Era aqui mesmo que eu brincava? Onde estão os gatos que se arrastavam pela rua? E aquelas pessoas que reclamavam que o clima estava cada vez mais quente e o fim muito próximo? O que foi feito das profecias?
Aquela flor vermelha que havia em meu quintal já não existe, ficou apenas o seu talo amarelados pelo tempo e que ainda resiste lutando contra o vento que o contorce. A terra está seca. Era aqui mesmo que eu brincava? Onde estão os gatos que se arrastavam pela rua? E aquelas pessoas que reclamavam que o clima estava cada vez mais quente e o fim muito próximo? O que foi feito das profecias?
A chuva estava muito forte lá fora, a porta estava aberta e eu entrei... Entrei no passado. Não pude evitar as lágrimas que se chocaram contra o chão empoeirado. A cama desarrumada, os quadros trincados e a mesa com o café e migalhas espalhadas. O que passou por aqui? O que se passou em meu passado? Olhei os cd’s que não me faziam mais sentido, olhei os pôsteres de pessoas distorcidas... não, não reconheci aquele lugar... não reconheci também o espelho. Andei mais um pouco, olhei cada cômodo da casa, cada objeto, cada osso jogado e já não tinha certeza se tinha entrado no lugar certo. Repensei sobre como era aquele tempo.
E ainda assim, mesmo sentindo que aquele lugar já não era mais meu, sentei-me no sofá rasgado, fingindo-me protegida. Encarar o futuro incerto e escurecido não me pareceu a melhor escolha no momento, o passado às vezes parece o lugar mais seguro, mesmo que estando em ruínas.
