13.12.13

Fernando Pessoa...

Chove muito, chove excessivamente...
Chove e de vez em quando faz um vento frio...
Estou triste, muito triste, como se o dia fosse eu.


Num dia no meu futuro em que chova assim também
E eu, à janela de repente me lembre do dia de hoje,
Pensarei eu "ah nesse tempo eu era mais feliz"
Ou pensarei "ah, que tempo triste foi aquele"!
Ah, meu Deus, eu que pensarei deste dia nesse dia
E o que serei, de que forma; o que me será o passado que é hoje só presente?...
O ar está mais desagasalhado, mais frio, mais triste
E há uma grande dúvida de chumbo no meu coração...

Álvaro de Campos
20/11/1914

Nihil

Tantos nada que não são nada e
tantos acontecimentos que continuarão sendo nada.
A ilusão de estar aqui para algo, 

e nada faça.
Para que as gerações futuras olhem para suas fotos e nada saibam, 
que você nada signifique, como se não tivesse havido...

Fora do controle

Uma ventania passou pela casinha que se julgava forte. 
Pensava a casinha que nada a atingiria, que poderia suportar tempestades e que sua estrutura nunca se abalaria. A casinha se construiu durante anos, arquitetando-se para possíveis eventos, criando plantas, para que tudo permanecesse igual durante anos. Pensava a casinha que bastava planejar para que as coisas seguisse o seu plano. Não pensou a casinha que algum acontecimento inesperado pudesse tirá-la do chão. Não pensou que os acontecimentos pudessem seguir rotas diferentes do seu planejamento. E então, uma ventania passou pela casinha. Quebrou suas portas e janelas, feriu sua estrutura, tirou tudo que a cercava. A ventania desmanchou o que havia sido construído. Mostrou que não estava no controle da casinha comandar  os acontecimento. A ventania chegou , destruiu, e continuou seu trajeto incontrolável.