24.2.13

Lisa Thiel - Imbolc (Candlemas)



Blessed Bridget, queen of the fire
Help us to manifest our desire
May we bring forth all that's good and fine
May we give birth to our dreams in time

19.2.13

Um pouco de Engenheiros do Hawaii - Terra de gigantes




Mas, hey mãe!
Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer

Mas, hey mãe!
Por mais que a gente cresça
Há sempre alguma coisa que a gente
Não consegue entender

Por isso, mãe
Só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto
Antes de anoitecer

Mega, ultra, hiper, micro, baixas calorias,
Kilowats, gigabites
Traço de audiência
Tração nas quatro rodas
E eu, o que faço com esses números?
Eu, o que faço com esses números?

18.2.13

Encaracolar-me

    Hoje não acordei saltitante. Levantei-me. Vesti minhas roupas. Andei vagarosamente pela casa. Dedilhei os porta-retratos, suspirei pelo que se foi. Fiz a minha xícara de todo dia e fiquei ali, em frente à janela, repensando os assuntos inacabados e também aqueles que acabaram de forma abrupta. Algumas lágrimas preguiçosas começaram a se formar, mas  paralisaram nos cantos dos meus olhos e secaram. Fiquei ali olhando as crianças brincarem sem conseguir sentir-me equivalente àquele clima de verão.
    Terminei meu café. Peguei minhas chaves, abri o portão e saí. Fugi das buzinas e das conversas fiadas dos lugares comuns. Andei pelas ruas, sem destino confirmado. Andei procurando um lugar que me permitisse ficar absorvida em reflexões. Encontrei-me então em um lugar distante dos meus conhecidos, das obrigações, do tempo, dos olhos alheios.  Ás vezes eu sinto essas necessidades de fugir dos outros e entrar em mim mesma. Volto-me, viro dona casmurra, "encaracolo-me" apenas para entender-me e continuar meus dias.
   E assim, estou aqui. Sentada em uma praça solitária. Sentindo o vento frio passear pela minha pele. Começo a pensar em coisas que se perderam em meio às tempestades de dias passados. Brinco com algumas folhas amareladas caídas no chão. Relembro de fotografias em tons sépia de momentos felizes. Olhando para o céu cinzento começo a pensar que os deuses também sentem esse vazio que percorre meu peito - que pensamento egoísta!
  Que lugar belo! Funebremente belo com suas folhas mortas forrando o chão. É como entrar em minha própria mente. Sentir meu próprio coração, conversar com meu passado. Vasculhar o que passou e, principalmente, no que poderia ter passado. Arrepender-me. Aqui fico pensando nas vontades que ficaram jogadas em outras praças solitárias. Aqui as folhas não julgam e não perguntam. Que lugar belo!  Como o vento conforta-me. Os tons pasteis-sem-graça casam com meu dia. Não posso suportar a ideia de voltar para ruas coloridas de rosas-falsos.
   Um pássaro canta seu canto de todos os dias. Chega outro pássaro, e outro, e montam uma orquestra à minha volta, assim, sem pensar, apenas seguindo seus instintos. E depois de cansarem suas cordas vocais, batem as asas e vão para longe, perdem-se nas nuvens carregadas.  Olhando esse voo equilibrado lembro-me daquele toque que se foi. Aqueles momentos caíram do meu bolso sem ao menos dizer adeus. O toque se foi, voou para longe, como essas folhas que caem das  árvores e são levada pela brisa de outono. Distanciou-se e tornou-se invisível como os pássaros. Deixou marcada apenas a lembrança que ainda pulsa como algo vivo. Essas lembranças dispersam-se em meio ao vento que varre as formigas que vão levando as folhas caídas.
      Olho novamente para o céu. A cor cinzenta torna-se mais escura. Não há estrelas. Não consigo saber exatamente que horas são. Deixei o relógio em casa fazendo companhia para as minhas frias obrigações. Pequenas nuvens densas começam a se formar ao longe. Os pássaros parecem se esconder. O vento começa a ficar mais gelado, congelando minhas lembranças e meus pesares.  Varre os pequenos insetos. Se vão as formigas, as folhas, os pássaros e o toque. Se vai o tempo. Vejo-me então obrigada a retornar para casa, para rua alegre com suas crianças prometendo um belo futuro. Vejo-me obrigada a voltar e cumprimentar os vizinhos fofoqueiros de sorrisos amarelos. Levanto-me e saio desse lugar confortável e vou andando lerdamente, preparando-me para desencaracolar-me e voltar para rua coloridas de rosas-falsos.

13.2.13

Medo de trovões


    Tenho medo de trovões. Começo assim, sem lubrificar o texto. Começo assim porque estou com medo da chuva que cai agora. Essa chuva tempestiva que chega quase sem avisar, antecedida apenas de um simples vento uivante que não possibilita nenhuma ação preventiva. Chega. E após sua chegada triunfante, acomoda-se no tempo – mas não abranda – com seus trovões ensurdecedores. Coloco uma música para disfarçar, mas os relâmpagos me avisam o que está ocorrendo lá fora. Fico então aqui dentro de casa, sentindo-me em um filmes de terror, daqueles em que um assassino, chegando com seus passos pesados, abre as portas com força fazendo-as chocarem-se contra a parede, resultando em um tremor na casa. A diferença é que eu não entrei em nenhuma casa abandonada, não fugi para o matagal. Não fiz nenhuma coisa estúpida como as protagonistas desses filmes. Estava aqui na minha casa – e ainda estou no mesmo lugar – e os trovões começaram a bradar lá fora com suas luzes cortando o céu.
    Cheguei em casa há pouco. Sentei nessa cadeira. Abri a janela para refrescar a casa. Abri o blog para escrever algo que já esqueci. E então ouvi o sinal. Corri para fechar a janela. Sentei novamente nessa cadeira esperando a minha companhia. E então a chuva chegou acompanhada de seus amigos mal-educados. E aqui estou escrevendo sem prestar atenção. Apenas com os músculos tensos e já doloridos.
    É estranho dizer isso, pois amo a chuva. De verdade. Sem ironia. Amo. Porém amo as águas silenciosas. Gosto daquela chuva que cai sozinha. Sem ninguém gritando seus graves e batendo o pé fazendo tudo tremer. Gosto daquela chuva que faz estragos, mas não ordena, não fica tentando assustar as crianças medrosas – principalmente as crianças internas. Gosto daquelas chuvas que apenas cai e carrega tudo consigo. Silenciosamente, como um ladrão misterioso. Talvez isso se deva pelo fato de eu nunca ter gostado de ambientes ruidosos, daqueles em que me sinto um personagem de filme de guerra, sem conseguir definir de qual canhão surgiu o estrondo e sem saber para onde correr. Nunca gostei de pessoas que ficam gritando sem necessidade e nem daquelas que gritam por necessidade. Não gosto de gritos. Buzinas. Músicas que surgem do nada e se vão do nada, deixando apenas suas notas distorcidas no ar. Sim, sou chata. Gosto de coisas calmas.
    Acho que sou uma pessoa contrária. Quase um "Benjamin Button" em relação aos meus medos. Quando era pequena amava a chuva com seus trovões. Abria a cortina pra ver a raive do lado de fora. Ficava animada com os ruídos. Chegava agradecer, pois sabia que teria uma boa noite de sono e ficava chateada caso o temporal se aquietasse. E agora, anos mais tarde - não ousarei falar quantos- aqui estou escrevendo inebriada com o temor de que algum gigante esmague minha casa. Colocando os fones de ouvidos em volume alto para tentar esquecer o que há lá fora, e ficando cada vez mais paranoica. 
    A música que estava tocando nos meus fones se silencia e percebo que a chuva está se acalmando e tornando-se agradável, exceto por alguns relâmpagos que surgem longe parecendo dizer ainda estou aqui ,você não perde por esperar. Encontro-me então dura; sentada nessa cadeira, com os joelhos dobrados “ai se eles relarem no chão”; escrevendo coisas que apenas mais tarde revisarei. Permito-me agora colocar os pés no chão. Ok. Confesso, ouvi está história em algum lugar  que colocar o pé no chão puxa raio - ah, a sabedoria popular - e isso eu nunca quis colocar em prova.
  A chuva chegou, pousou em cima do meu telhado, abalou as estruturas, e se foi. Finalmente os estrondos acabaram e agora  o único barulho que se ouve é o das pesadas gotas remanescentes que caem do telhados e chocam-se com o chão molhado. Agora saio dessa cadeira e vou abrir a janela, deixar o vento fresco entrar calmamente refrescando-me do meu temor.

5.2.13

Espero




Ainda há esperança. Mesmo que as folhas já tenham sido viradas, ainda há esperança de que o personagem volte das cinzas, como uma fênix, e cubra o cenário de surpresas.

Ainda há esperança de que o livro de romance torne-se uma investigação policial buscando você perdida nas águas vermelhas.

Ainda espero um momento mágico em que a realidade inverta-se, que a sorte sorria para mim permitindo-me tocar o sonho.

Espero pois, confesso, sou passiva diante das situações e , principalmente, devo dizer, de meus próprios medo.



                  Portanto espero que seus toques caiam dos céus para meus lábios.

                                            Que seu véu nos cubra e
                                                                   leve-nos para
                                                                                      além.
 



Poço De Sensibilidade by Ira on Grooveshark

4.2.13

Lou Salomé



Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!

1.2.13

Acontece

Acontece - Pablo neruda

Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.

Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.

Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.

Que entrevista espaçosa e especial!