Levantei sem dizer tchau... Mas tive que voltar para pegar minha cabeça caída no chão.
Quando meu corpo deslizou no sofá ouvi o barulho de uma garrafa se quebrando. Bebi mais uma taça avermelhada.
Aquelas imagens subindo a parede, desmanchando-se como tintas jogadas ao destino, escorrendo novamente como água turva e me enchendo de sensações.
Óculos espalhados nos livros, palavras na estante. Um corpo em algum lugar... Os cacos formando estalactites. A porta aberta. Lá fora o frio congela as árvores que tentam balançar. Um lobo uiva para a lua desconectada.
Não sei se meus olhos estão abertos, ou estou ouvindo cores... Sempre chega esses momentos em que não encontro a realidade, apenas topo com desenhos em stop motion.
A rua está molhada... As luzes laranjas vêm em todos os sentidos e eu fico aqui tentando prolongar esse abstracionismo, me esquivando do sentido