29.1.14
Beats Antique
27.1.14
Tempos
Agora aquele tempo está perdido, passou, não volta mais e com ele passaram também as oportunidades.
Deveria ter feito há muitos anos. Deveria ter aproveitado as sugestões e pedidos. Agora o tempo corre veloz. Cada segundo que se passa é como um martelo avisando que deveria ter feito há tempos e que as oportunidades se desmancharam como tintas jogadas na tela.
As areias que escorreram da ampulheta não poderão voltar e agora fica o coração batendo acelerado enquanto corre para resolver o atraso.
Corre
Acelera
Acelera.
Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo que volte, amor....
Ainda há tempo para viver tudo que há pra viver?
Ainda podemos nos permitir?
Agora vai
Sobe no salto
e anda desiquilibradamente até aprender a andar com os outros.
19.1.14
Uma coisa diferente. Assim, uma música, uma saia, uma blusa. Coisas diferentes para acontecimentos diferentes. Em frente ao espelho deixa de lado o batom nude e passa seu batom cor de quem vai aprontar. Retira os prendedores do cabelo e o deixa livre como se sente por dentro. Despe-se dos tormentos e veste a coragem que há muito lhe fugia. Em frente ao espelho faz promessas, coloca a sorte em sua bolsa e saí... de si.
14.1.14
"Mas nunca tinha me movido com força e rompido a rede; nunca eu à frente, comandando a batalha. Calada e sonâmbula, obedecia sempre cabisbaixa. Ás vezes emergiam pobres reações impotentes, gritos no escuro. Reagia tarde; sempre depois; reagia de forma violenta, lembrando-me, heroica e atrasada que era a protagonista da minha própria vida."
"Quieta, escuto a voz da minha mãe, eu na minha cama encolhida, as pernas dobradas quase tocando a cabeça. Quieta me encolho debaixo da árvore e vejo. É tudo tão magro, fino, de uma transparência tão rala..."
Fogos, Simone Greco
12.1.14
Delírios de falta
Não era a falta dele. Não era a falta daqueles dias, das sensações, dos cheiros, dos sorrisos. Era simplesmente falta. Era uma falta em essência, disforme. Era o espectro do passado sobrevoando os novos movimentos. A saudade não tinha um objetivo, um desejo específico. Tudo soava como um chiado de um rádio mal sincronizado, impossível de ser captado e compreendido. Se estivesse descrito o que faltava, assim como nos livros de receitas, poderia calçar os sapatos e ir a luta. Mas assim, com essa falta disforme, palpitando como uma criança mimada que berra sem saber o que quer, assim não dava para caminhar.
Assim foi ficando com aquela falta enquanto tentava beber água na esperança de se preencher. Talvez a chuva tivesse um efeito mais satisfatório. Talvez o fogo. Talvez um descanso de tudo. Talvez não fosse falta, mas sim uma garrafa cheia se derramando. Eram muitos talvez, mas o incomodo principal era a falta de uma definição para tornar possível um conhecimento, como o das doenças em que se receita um medicamento específico para aliviar os sintomas...
E assim passou sua noite pensando no que faltava, tentando encontrar fórmulas para se entender. Como cachorro correndo atrás do rabo, faltava achar algo para entender o que faltava.
Assim foi ficando com aquela falta enquanto tentava beber água na esperança de se preencher. Talvez a chuva tivesse um efeito mais satisfatório. Talvez o fogo. Talvez um descanso de tudo. Talvez não fosse falta, mas sim uma garrafa cheia se derramando. Eram muitos talvez, mas o incomodo principal era a falta de uma definição para tornar possível um conhecimento, como o das doenças em que se receita um medicamento específico para aliviar os sintomas...
E assim passou sua noite pensando no que faltava, tentando encontrar fórmulas para se entender. Como cachorro correndo atrás do rabo, faltava achar algo para entender o que faltava.
11.1.14
Conta-dias
Stereophonics - Mr. Writer
São como conta-gotas. Sente os dias pingando, marcando "x" vermelho em seu calendário recém instalado sobre a pratilheira. Uma certa ansiedade ao olhar todos os outros dias em branco e pensar em como serão. Enquanto as gotas se vão, os livros são abertos, a tv é ligada, o café se vai pelo ralo. Gritos na rua - sempre há gritos na rua-, palmas no portão, cachorros latindo, o relógio tictaqueando... Mais um "x".
O sol que se levanta preguiçoso pela manhã. Os olhos que se abrem para esconder o que há muito martela por dentro. As roupas cheirando amaciante, o cheiro do café da manhã, o gosto da pasta de dente, a água do chuveiro que passa e congela pelo corpo. Sentar na cadeira e levantar-se desejando inverter os horários.
O portão que se abre. O carro que se vai. O semáforo que atrasa o trânsito. Buzinas. Fechadas. Batidas. Olhares. Aviões. O mesmo caminho marcado a giz. O automóvel que decora o trajeto de todo dia. Os dias que ficam estigmatizados, anos após anos. Chega. Fecha a porta. Suspira. Entra. Senta. Escreve. Suspira. Escreve. Pausa. Lanche. Escreve. Perde a criatividade. Sente-se pesada. Pensa que não irá conseguir. Já não é como antes. Já não acredita em mais nada. A mesmice ditando os 365 amanhecer... Horas que se escorrem como areia no vento.
A noite chega refrescando os pensamentos, mas chega também o cansaço. Toma um banho. Se troca. Liga a Tv. Absorve as informações distorcidas dos jornais. Come um lanche. Troca de canal. Assiste a novela. Abre uma revista. Abre as redes sociais... suspira ao perceber que não se encaixa nos belos sorrisos de vidro das fotos. Olha-se no espelho. Se perde. A noite se prolonga. Acaba os programas. Vai para cama.... Insônia.
Nesse momento, inebriada pela noite, escuta no silêncio seus pensamentos e seu coração que bate aceleradamente. Agora que deveria fechar os olhos e descansar o corpo não consegue. Pensa no seu dia e em seus desejos coloridos contrastando com a realidade. Não era o que sonhava de uma realização pessoal. Ali, com a noite refrescando o ruído do grilo e dos morcegos, sobrevoam os pensamentos que se escondem ao amanhecer. Ao fechar seus olhos os pensamentos chegam como corvos bicando feridas antigas. Impossível dormir. Quer sair, colocar uma roupa colorida e se jogar na noite, mas amanhã terá compromissos logo ao amanhecer - aqueles contratos. Emburrece... não pode sair.
Meia noite
Meio dia
Meia vida
Uma vida inteira
Mais um "x" no calendário... Mas uma pagina virada. Mais um calendário jogado fora e um novo colocado sobre a pratilheira. Olha para seus dias em branco, sente novamente a ansiedade, mas promete fazer tudo diferente, assim como fizera nos outros anos. Mas esse será diferente, escolhera a cor azul para marcar um "v" em seus dias.
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