27.3.12

Tormento matinal


   Está frio. Eu aqui deitada, enrolada em cobertores cinzentos. Ainda perdida no espaço entre a realidade e sonho. Caindo de sonolência. O celular insiste em apitar seus agudos que entram em minhas alucinações. Manhã e frio... É como estar presa em uma telha de aranha. Juro que quero sair, fazer meus trabalhos, mas aquele entorpecimento não me deixa, está grudado em todos os meus sentidos. 

   O quarto está meio avermelhado, algumas vozes vêm aos poucos me trazendo a consciência até que percebo que apenas as peguei emprestadas das vozes de pessoas que passam na rua. 

  Vamos mãozinhas. Puxem os cobertores para baixo. Mova os pezinhos para o chão frio. Deixe essa preguiça deitada na cama. 



  De repente, lá estou eu fazendo tudo o que preciso. Acendo a luz. Troco de roupa. Arrumo o cabelo. Arrumo minha bolsa. Tomo o café da manhã... Até que o celular volta novamente a despertar (salve os 10 min. de soneca) e eu vejo que tudo não passou de um sonho, que acabei pegando no sono de novo... E de novo... . Vamos mãozinhas. Puxem os cobertores para baixo. Mova os pezinhos para o chão frio. Deixe essa preguiça deitada na cama.

26.3.12

Velhas fotografias

Quando acordei minha cabeça ainda estava girando com aqueles pensamentos. Levantei. Calcei meus pés. Andei pela casa. Tomei café. Escovei os dentes. Esperei por algum acontecimento. Sentei no sofá como uma pessoa normal que não foi traída pela sua consciência.
Aquelas informações que sobrevoaram a minha cabeça, como uma espécie de entidade, ainda latejam aqui dentro. É tão estranho remexer em assuntos que estavam enterrados, dói. 
E então eu descubro que o chão era uma nuvem fantasiosa. Descubro o porquê estou caída no chão com os joelhos sangrando e os olhos úmidos de criança. Dói olhar no espelho e descobrir a causa de algumas cicatrizes. Dói desenterrar os fantasmas... Mas aqui estou, com um ursinho preso às mãos tremulas, fingindo estar disposta a saber a verdade.
E então engulo esse nó na garganta com mais um gole de café amargo. Acendo outro cigarro. Escrevo alguns poemas metafóricos – nada de águas claras-, e continuo revendo fotografias e descobrindo que construí histórias em areias movediças.