29.10.12

Satisfação da mente




Em um lugarzinho pequenino, pula a fadinha.
Sobe nas árvores, rola na grama, afunda na poça. Sorri serelepe
Voa para o céu, mergulha na terra, suja-se, descabela-se.
Vive fadinha.

Em seu mundo roxo azul-feliz, borra-se de guloseimas
Joga pedrinhas no riacho, banha-se em cachoeira, brilha com o sol
Mergulha com as aves, circula as estrelas, encosta e descansa na lua, dorme fadinha serelepe

Desequilibra-se da lua
Cai rapidamente, sente o frio na barriga, choca-se
Acordo assustada em minha cama.

20.10.12

Lenine- Magra

Magra by Lenine on Grooveshark
Moça
Pernas de pinça
Alta
Corpo de lança
Magra  

Olhos de corça
Leve
Toda cortiça
Passa
Como que nua
Calma
Finge que voa
Brasa
Chama na areia
Bela
Como eu queria
Magra, leve, calma
Toda ela bela
Tudo nela chama
Segue
Enquanto suspiro
Toda
Cor de tempero
Cheira
Um cheiro tão raro
Clara
Cura o escuro
Ela
Braços de linha
Dengo
Cheio de manha
Durmo
E peço que venha
Acordo
E sonho que é minha
Magra, leve, calma
Toda ela bela
Tudo nela chama


Analisou cada linha perfeitamente desenhada. 
Não olhou para frente. Não olhou para o nada.
Apenas parou, perdido em sua ilha.
Perdido em si mesmo.

Não viu as paredes de seu quarto desabar
Apenas abraçou a si mesmo, se fechou.
Não sentiu os toques que tentaram acordá-lo,
Não pode sentir.

O tempo passou.
Não andou pelos caminhos,
Não desarrumou sua cama

O espelho trincou,
Sua figura desmanchou-se.
Não resistiu se ver em pecinhas tortas,

Quebrou.


Imagem: adda prieto narcisismo

Um pouco de Legião Urbana - Mais Uma Vez

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã 
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo 
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém


Quem acredita sempre alcança!

18.10.12

Abra o laço




Nenhuma boca

Nenhum corpo

Você está na beira da estrada.

Pede carona.

Entra no carro antigo cor de ferrugem. Você ainda está na beira da estrada.

Você segue adiante, alcança as estrelas. Você ainda está na beira da estrada.

Você pode ir onde quiser, mas nunca se esquecerá daquele assunto pendente... Você ainda está na beira da estrada.

Pode atravessar o espelho, pode atravessar sua falsa existência, não adianta fechar os olhos e imaginar um mundo cor de rosa.

Algo foi deixado Intacto. O laço colorido ainda está guardando seus medos.

Quando se está na beira da estrada um passo para trás te leva de volta ao abismo.

14.10.12

Tingida de vermelho

E o pior é saber que ela nunca será sua.

Saber que seus dedos delicados nunca tocará a sua pele áspera.

Pega a pena e brinca com ela, doce criança.

Não tem noção do que faz.

Olha. Sorri. Mas não sabe para quem.

E lá está o lobo em pele de cordeiro saboreando seus gestos de pétalas, satisfazendo-se com cada palavra ouvida.

Voz adocicada, doce criança tingida de vermelho.

Uma faca afiada para rasgar sua pele de seda.

Dentes de vampiro para sugar fragilidade.

Ri-se inocentemente.

Diz coisas sem saber

Lobo em pele de cordeiro, espera para atacar seu anjo tingido de vermelho.

Vontades

Vontade de estar bonita
Com a maquiagem borrada
Braços ocupados
Coração acelerado

Fome de dramas adolescente
Verdades inconsequentes
Saltos quebrados
Zíper abaixado

Vento me levando sem sentido
Sentindo olhares alheio
Alheia aos outros olhares

Vontades...
Fecha-se a gaveta
Guarda o papel e aceita a realidade

Ao acaso


Instantes passageiros



Não havia as pequenas mãozinhas de fadas em meus ombros.
Os anjinhos não falaram nada.
O silêncio martelava dolorosamente em minha mente.
Não havia cachorros, nem gatos, nem pássaros azuis cantarolando em minha janela
O que havia eram as janelas turvas de meu quarto.

*Caminhante não há caminho
Se faz caminho ao andar

As idéias martelam em minha cabeça. Eu concordo... e só.
Quando as facas começam a cortar os pés, não se pode caminhar, por mais que soe bonitos os poemas de flores amarelas, a realidade é em preto e branco.
Sei que não houve lágrima... E ainda assim não consigo parar de lamentar esses pingos que me escorrem dos dedos.

Caminhante não há caminho
Se faz caminho ao andar

As ideias ainda martelam na minha cabeça. E ainda assim não consigo levantar-me dessa cadeira rasgada e empoeirada.
Mesmo que o caminho esteja a minha frente... ainda assim continuarei aqui, quieta, prometendo que amanhã será diferente.


Amanhã será diferente
Eu sei que vai....

Amanhã eu andarei
Hoje não, apenas amanhã...


* Trecho do poema: Caminhante de Antonio Machado

30.9.12


.. Uma pane no sistema

Ação que não para de se repetir

Os mesmos corpos, os mesmos sentimentos passam na frente dos corpos

Repete, repete, repete

Não há um fim... Repete, Repete, Repete

Não se pode quebrar a máquina... Fingir que não existe não é a solução

Os vírus são criados, mas não há o que fazer com eles...

Quando tudo está fora do controle o que se pode fazer é observar o fogo transformar tudo em cinza...

29.9.12


Velhas fotos

Mesmos dramas

Relembrar o que está embaixo da grama

6.7.12

Sem Fôlego


Passa correndo

        Vai correndo

Resolve correndo  

           Corre correndo
       
  Chega em casa correndo

                                                     Deita em sua cadeira de balanço correndo

Fecha os olhos 
            e 
             se acaba ...
sem ter visto o trajeto. 

9.5.12

Entrar no passado

    O relógio estava desorientado ou eu me perdi no tempo? Não sei em que dia estou, o que estou fazendo nem o por que. Será que algum extraterrestre me raptou e embaralhou minha memória? Onde estão aquelas pessoas que caminhavam ao meu lado e compartilhavam os mesmo planos? Tínhamos um horário marcado, alguém se lembra? 
     - Não, não há mais ninguém aqui.
   Aquela flor vermelha que havia em meu quintal já não existe, ficou apenas o seu talo amarelados pelo tempo e que ainda resiste lutando contra o vento que o contorce. A terra está seca. Era aqui mesmo que eu brincava? Onde estão os gatos que se arrastavam pela rua? E aquelas pessoas que reclamavam que o clima estava cada vez mais quente e o fim muito próximo? O que foi feito das profecias?
    A chuva estava muito forte lá fora, a porta estava aberta e eu entrei... Entrei no passado. Não pude evitar as lágrimas que se chocaram contra o chão empoeirado. A cama desarrumada, os quadros trincados e a mesa com o café e migalhas espalhadas. O que passou por aqui? O que se passou em meu passado? Olhei os cd’s que não me faziam mais sentido, olhei os pôsteres de pessoas distorcidas... não, não reconheci aquele lugar... não reconheci também o espelho. Andei mais um pouco, olhei cada cômodo da casa, cada objeto, cada osso jogado e já não tinha certeza se tinha entrado no lugar certo. Repensei sobre como era aquele tempo. 
    E ainda assim, mesmo sentindo que aquele lugar já não era mais meu, sentei-me no sofá rasgado, fingindo-me protegida. Encarar o futuro incerto e escurecido não me pareceu a melhor escolha no momento, o passado às vezes parece o lugar mais seguro, mesmo que estando em ruínas. 

6.5.12

Amargo exagerado


Não, eu não quero sair daqui...
Gosto do meu quarto quente com sua escuridão uterina protegendo-me dos acontecimentos. Aqui dentro não importa muito os movimentos que eu faça, nem o que corre à minha volta. É como se eu perdesse os sentidos da dimensão de responsabilidades, das contas matemáticas... de mim.
Há alguns corpos sem formas passando lá fora, crianças que voltam da escola e gritam alguma coisa que me chega distorcida. Sinto medo de sair daqui, como se fosse ser recebida com espadas. Não há nada para me proteger lá fora. O medo é o meu maior protetor, deixando minhas pernas sem ações, fazendo-me esquecer por alguns momentos que eu não deveria estar aqui me esquivando da vida. 
Em meio aos delírios e à garganta estrangulada, a qual não deixa nenhuma palavra sair, um rio invade meu quarto devastando tudo à sua volta, mas eu ainda estou aqui, boiando no meio de seus movimentos... Não quero sair. Fugir desse lugar seria como a sensação de estar enrolada em uma coberta e ter que sair para enfrentar o frio e as obrigações. Estou sem força para enfrentar as coisas... Mas chegará uma hora em que a necessidade baterá a minha porta e me expulsará daqui ou morrerei presa à inércia que esse lugar me proporciona.

12.4.12

Letras abstratas


Levantei sem dizer tchau... Mas tive que voltar para pegar minha cabeça caída no chão.

Quando meu corpo deslizou no sofá ouvi o barulho de uma garrafa se quebrando. Bebi mais uma taça avermelhada.

Aquelas imagens subindo a parede, desmanchando-se como tintas jogadas ao destino, escorrendo novamente como água turva e me enchendo de sensações.

Óculos espalhados nos livros, palavras na estante. Um corpo em algum lugar... Os cacos formando estalactites. A porta aberta. Lá fora o frio congela as árvores que tentam balançar. Um lobo uiva para a lua desconectada.

Não sei se meus olhos estão abertos, ou estou ouvindo cores... Sempre chega esses momentos em que não encontro a realidade, apenas topo com desenhos em stop motion.

A rua está molhada... As luzes laranjas vêm em todos os sentidos e eu fico aqui tentando prolongar esse abstracionismo, me esquivando do sentido

27.3.12

Tormento matinal


   Está frio. Eu aqui deitada, enrolada em cobertores cinzentos. Ainda perdida no espaço entre a realidade e sonho. Caindo de sonolência. O celular insiste em apitar seus agudos que entram em minhas alucinações. Manhã e frio... É como estar presa em uma telha de aranha. Juro que quero sair, fazer meus trabalhos, mas aquele entorpecimento não me deixa, está grudado em todos os meus sentidos. 

   O quarto está meio avermelhado, algumas vozes vêm aos poucos me trazendo a consciência até que percebo que apenas as peguei emprestadas das vozes de pessoas que passam na rua. 

  Vamos mãozinhas. Puxem os cobertores para baixo. Mova os pezinhos para o chão frio. Deixe essa preguiça deitada na cama. 



  De repente, lá estou eu fazendo tudo o que preciso. Acendo a luz. Troco de roupa. Arrumo o cabelo. Arrumo minha bolsa. Tomo o café da manhã... Até que o celular volta novamente a despertar (salve os 10 min. de soneca) e eu vejo que tudo não passou de um sonho, que acabei pegando no sono de novo... E de novo... . Vamos mãozinhas. Puxem os cobertores para baixo. Mova os pezinhos para o chão frio. Deixe essa preguiça deitada na cama.

26.3.12

Velhas fotografias

Quando acordei minha cabeça ainda estava girando com aqueles pensamentos. Levantei. Calcei meus pés. Andei pela casa. Tomei café. Escovei os dentes. Esperei por algum acontecimento. Sentei no sofá como uma pessoa normal que não foi traída pela sua consciência.
Aquelas informações que sobrevoaram a minha cabeça, como uma espécie de entidade, ainda latejam aqui dentro. É tão estranho remexer em assuntos que estavam enterrados, dói. 
E então eu descubro que o chão era uma nuvem fantasiosa. Descubro o porquê estou caída no chão com os joelhos sangrando e os olhos úmidos de criança. Dói olhar no espelho e descobrir a causa de algumas cicatrizes. Dói desenterrar os fantasmas... Mas aqui estou, com um ursinho preso às mãos tremulas, fingindo estar disposta a saber a verdade.
E então engulo esse nó na garganta com mais um gole de café amargo. Acendo outro cigarro. Escrevo alguns poemas metafóricos – nada de águas claras-, e continuo revendo fotografias e descobrindo que construí histórias em areias movediças.