
Talvez tenha sido sonho, talvez esteja ficando louca - sendo esta a mais plausível, ou talvez- prefiro crer-, você realmente esteve aqui.
Ontem senti o cheiro do seu perfume entrando pela janela. Esse cheiro, mal educado, que entra sem pedir licença, trouxe consigo mil lembranças que estavam guardadas em algum compartimento secreto da minha mente. Seu cheiro entrou, sentou-se no sofá, bebeu uma xícara de café - assim, como quem não quer nada-, e ficou assistindo filmes sem graça ao meu lado. Nada falou, mas ousou. Movimentou-se de forma brusca, deixou, não apenas a lembrança, mas também provas. Os copos estilhaçados caídos pela casa deixaram um cheiro alcoólico forte, as marcas vermelhas em minhas unhas, a porta da geladeira aberta, o vento balançando os quadros do corredor, parecem-me fatos convencendo-me de que esteve aqui.
Quem sabe em pensamento, ainda assim marcou seus passos nesse chão empoeirado.
Era uma noite fria recheada com brisas quentes. Um copo de vermute substituindo a xícara de café. Algumas risadas, gatos passeando pelo telhado. Mãos passeando pelo telhado. A sensação de uma presença marcando as horas, preenchendo-as com perfumes e toques efêmeros.
Talvez apenas em pensamento, talvez marcando de verdade, ou apenas um talvez.
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