Houve um tempo em que tentava fugir da realidade, fugir dos instintos.
Pintava o céu de azul, a grama de verde, o amor de rosa....
Houve um tempo em que tentava suprimir o vermelho do sangue e o brilho das lágrimas.
Houve tempo....
Houveram tempos.
A cada momento uma parede era erguida e o pincel percorria pintando cores bonitas e quentes.
Naqueles dias, fugia-se do marrom e das cinzas, fugia-se das folhas secas e das borboletas mortas.
O tempo passou, as paredes caíram. O trabalho se escorreu pelo ralo. Apareceu o fundo detonado, as velhas cicatrizes, esqueletos a mostra e dentes quebrados. O espelho mostrou instintos trincado. Viu seus dentes tingidos de sangue brilharem no escuro.

As mãos perderam as conexões,
o pincel caiu,
o pescoço se quebrou.
Por dentro, viu que não era bonito. Percebeu que atrás das falsas paredes coloridas que criava - na esperança de construir algo bonito por dentro - havia um instinto desconhecido que lhe parecia monstruoso, havia uma realidade, um monstro desmaquiado
Virou cinza
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