14.1.13

O que ficou

Não adianta tentar desfazer o novelo, não adianta pegar a agulha... Nada irá sair.

Não adianta pegar o violino, apoiar-se na janela e fazer ar de inspiração... O som simplesmente não sai.

Não adianta tentar escrever textos corridos... As linhas parece estar sempre se quebrando.

A xícara rola para baixo do sofá. As mãos estão fracas. O coração bate acelerado buscando reações dos outros órgãos, mas a mente nada quer fazer. Os olhos estão semicerrados.

A pulseira está estilhaçada no piso de madeira. A porta enferrujada range com o vento preguiçoso. O ar amarelado entra na casa para renovar o seu ar idoso.

Os gatos foram embora, a vizinhança foi embora, o espírito foi embora, apenas o nada ficou perambulando entre o quarto e a sala de estar.

O antigo espelho retratando um antigo sorriso acinzentado. Uma pequenina foto colada na extremidade... Um campo verde.

A parede branca que sobrou permanece esperando novidades, quadros, fotografias novas. Mas apenas as lembranças agarram-se em suas esperança.

Dia após dia. Horas longas. Sono pesado. Dia após dia.

Olho pras casas vazias... apenas corpos fazendo sombras nas cortinas desbotadas. Ali está um gatinho de orelhas em pé... Nada pode ouvir.

Ainda estou esperando aquela estrela cair em cima de mim levando-me para o solo. 

Ainda estou esperando o mar levar-me além.

Ainda estou esperando...

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