26.3.12

Velhas fotografias

Quando acordei minha cabeça ainda estava girando com aqueles pensamentos. Levantei. Calcei meus pés. Andei pela casa. Tomei café. Escovei os dentes. Esperei por algum acontecimento. Sentei no sofá como uma pessoa normal que não foi traída pela sua consciência.
Aquelas informações que sobrevoaram a minha cabeça, como uma espécie de entidade, ainda latejam aqui dentro. É tão estranho remexer em assuntos que estavam enterrados, dói. 
E então eu descubro que o chão era uma nuvem fantasiosa. Descubro o porquê estou caída no chão com os joelhos sangrando e os olhos úmidos de criança. Dói olhar no espelho e descobrir a causa de algumas cicatrizes. Dói desenterrar os fantasmas... Mas aqui estou, com um ursinho preso às mãos tremulas, fingindo estar disposta a saber a verdade.
E então engulo esse nó na garganta com mais um gole de café amargo. Acendo outro cigarro. Escrevo alguns poemas metafóricos – nada de águas claras-, e continuo revendo fotografias e descobrindo que construí histórias em areias movediças. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário