14.10.12

Instantes passageiros



Não havia as pequenas mãozinhas de fadas em meus ombros.
Os anjinhos não falaram nada.
O silêncio martelava dolorosamente em minha mente.
Não havia cachorros, nem gatos, nem pássaros azuis cantarolando em minha janela
O que havia eram as janelas turvas de meu quarto.

*Caminhante não há caminho
Se faz caminho ao andar

As idéias martelam em minha cabeça. Eu concordo... e só.
Quando as facas começam a cortar os pés, não se pode caminhar, por mais que soe bonitos os poemas de flores amarelas, a realidade é em preto e branco.
Sei que não houve lágrima... E ainda assim não consigo parar de lamentar esses pingos que me escorrem dos dedos.

Caminhante não há caminho
Se faz caminho ao andar

As ideias ainda martelam na minha cabeça. E ainda assim não consigo levantar-me dessa cadeira rasgada e empoeirada.
Mesmo que o caminho esteja a minha frente... ainda assim continuarei aqui, quieta, prometendo que amanhã será diferente.


Amanhã será diferente
Eu sei que vai....

Amanhã eu andarei
Hoje não, apenas amanhã...


* Trecho do poema: Caminhante de Antonio Machado

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