17.8.16

Útimas gotas

Por fora tudo está frio. 
As ruas estão molhadas com a chuva que não para de cair.
Em minha garganta ainda está entalada a última gota de café.
Essa pequenina gota, posso sentir, está manchando as palavras que covardemente sufoquei dentro de mim.
As palavras ainda estão tentando gritar, mas a última gota as matará.
Ficarão então as palavras que eu não disse, inutilizadas e manchadas, servindo apenas para estrangular-me, mesmo que postumamente.

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