Carta de despedida...
Essa
carta é na verdade uma desculpa para a culpa que ainda não sinto mas que se, porventura vir a sentir, tenha onde me refugiar.
Foi
melhor para você. Eu não teria capacidade suficiente para ser forte e aguentar
o seu sofrimento. Não aguentaria e não conseguiria te apoiar nas tragédias que
estavam programadas para acontecer. Iniciaram o cronometro da bomba-relógio e
eu tive que correr mais rápido que ela. Você não aguentaria, você iria
desfalecer aos poucos como um animal aberto aos corvos. Não queria ver sua
carne ser consumida aos poucos enquanto um público infeliz o assistia e o
julgava. Para o seu bem, sempre fiz e faria tudo para o seu bem. Qualquer outra
opção poderia causar-lhe maior sofrimento. Eu não teria capacidades. Não me
considero fraca. Na verdade no momento não me considero nada, mas tenho medo de
que algo me caia como um manto de tormento. Quero dizer-me que foi melhor
assim. O nada é melhor que o vermelho da dor e do sangue. Agora tudo está azul,
a lembrança está colorida em tom sépia. Estou tentando dobrá-la e guardá-la em
uma caixinha para futuramente jogá-la em uma correnteza. Assim, apagar os
tormentos, jogá-los fora e viver em um jardim de flores. Mas se caso cair-lhe a
dúvida, penses que foi melhor assim. Nada é pior que o sofrimento.
Inicio da bomba-relógio: 21/04/14
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